Já estamos em guerra, simplesmente isso não foi comunicado à maioria.

O não debate

Deveria talvez dizer outro “não debate” porque com a corrida às privatizações (perdão penso que actualmente o termo é “reformas”) que se está a fazer começa a ser complicado ter noção de quantas coisas estão em cima da mesa e de quem está a tomar decisões sobre o quê (reparem que neste caso o destino da empresa, RTP, é decidido por comissão – para minimizar a responsabilidade de cada um?) – aparentemente não há qualquer autoridade central que esteja a coordenar estas mudanças radicais da sociedade portuguesa, simplesmente grupos dispersos que obedecem a um mesmo interesse. Isto é a via mais fácil de mudar seja o que for sem ter que dar contas a ninguém. Já que nunca se tomou formalmente uma decisão de mudança radical de paradigma social não tem que se justificar o que está a acontecer aos bochechos. O primeiro ministro não assume responsabilidade pelo novo paradigma. Os ministros responsáveis de cada área muito menos (aliás muitos deles escudam-se atrás de uma suposta independência tecnocrática quando basta olhar para os CVs deles para perceber que tal é perfeitamente impossível). As comissões dividem ao máximo a carga moral e apenas recomendam acções. Parece que é tudo muito difuso mas cada dia que passa os portugueses acordam para um país ligeiramente diferente: mais pobre, menos livre, mais medroso, mais dependente das elites, e acima de tudo um país onde não fomos ouvidos sobre nada.

E claro que tudo tem que ser rápido para não nos dar tempo sequer de respirar. Suponho que assim seja porque a partir do Natal os próprios reconhecem que começarão a ter oposição séria – daquela nas ruas e nos locais de trabalho, não daquela que vem do gigantesco logro a que chamamos parlamento e que nunca atinge nada real. Não gosto deste tipo de pensamento, de política de rua, mas quando as instituições políticas, que deveriam ser o cerne da nossa comunidade Pública, estão mortas ou quase que conspiram contra o seu próprio povo não a posso considerar ilegítima (seria o mesmo que considerar a Revolução Francesa ilegítima porque não seguiu os canais próprios do regime absolutista). Cada dia duas reformas pelo menos. Uma verdadeira corrida em que nem sabemos quem são os corredores ou qual é o prémio. Só quando tudo for irreversível é que nos mostrarão a obra completa e irreversível do Novo Portugal (pelas “obras” parece pode vir a ficar surpreendentemente parecido a outra coisa que também se dizia “Novo”). Quando for tarde demais para reagir aí sim saberemos tudo. Tudo menos a quem atribuir responsabilidades claro.

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