Já estamos em guerra, simplesmente isso não foi comunicado à maioria.

O fortalecimento das barreiras sociais

Não houve qualquer surpresa nas medidas anunciadas hoje pelo governo e muito menos em descobrir sobre quem vão incidir: o que ainda existe da classe média (caso não tenham percebido o IRS só taxa quem tem mesmo um emprego, ou seja, trabalha… ou seja não tem uma empresa para declarar que recebe um salário mínimo recebendo o grosso do bolo em dividendos ou outra figura legal equivalente ainda mais obscura). Como estava previsto impostos de herança sobre grandes fortunas ficaram na gaveta, tributar ganhos financeiros nem pensar, taxar propriedades acima de determinado valor (e falamos na ordem dos milhões por isso guardem as lágrimas derramadas em nome destas almas danadas que seriam penalizadas) nem está em cima da mesa para discussão. Claro que tivemos direito a um frenesim mediático o dia todo onde os comentadores bem domesticados comunicam a inevitabilidade das medidas e a sua justiça. A raiva que alguns sentem (resultado dos maus tratos e impotência total) é canalizada para meia dúzia de gritos semi-histéricos na Tv ou rádio, sem grande efeito, e ainda esta semana a maquinaria do Estado e grupos económicos privados associados começará, não só a respirar de alívio, como a implementar tudo o que foi “corajosamente” decidido.

A preocupação e cuidado humano que os nossos gloriosos mestres demonstram para connosco é comovente!

Outras medidas mais de longo prazo também vão começar a fazer efeito e a corroer o tecido social como por exemplo o facto de as bases dos serviços de educação (quando não mesmo a filosofia subjacente ao próprio conceito de educação) estarem essencialmente a ser demolidas em várias frentes. Num lado as creches são entregues a privados que usarão a partir deste momento trabalho voluntário (antes tinham mesmo que contratar profissionais mas pelos vistos em Portugal só algumas crianças é que merecem a atenção de pessoas devidamente treinadas o resto pode ficar nas mãos de amadores bem intencionados). Isto essencialmente vai degradar as condições de trabalho nesta área, já complicada, ao ponto de as tornar impossíveis (afinal de contas se legalmente posso lá ter alguém gratuitamente porque iria pagar?). Noutra frente da mesma batalha sacrifica-se completamente qualquer qualidade de ensino em nome de umas economias miseráveis e mal explicadas – dá a impressão que o objectivo de tudo isto é não só o de parar o elevador social (que já estava fora de serviço há mais de uma década) como de o desligar de vez e barricar as escadas contra qualquer intruso. As turmas aumentam, a pressão sobre os técnicos aumenta, a escola é partidarizada ainda mais e quase 40000 técnicos superiores ficam no desemprego. Outros países aproveitaram as suas grandes crises para criar grandes reformas na educação, em Portugal tomam-se medidas que só poderão contribuir para solidificar o sistema de castas sociais.

Se está a ler este blogue então tenho o triste dever de o informar que provavelmente estará do lado de fora da muralha…

Tudo indica que não haverá solidariedade entre classes sociais em Portugal. Esta muralha da China financeira e legal (e suspeito que mais tarde policial) já estabeleceu (em toda a sinceridade talvez seja melhor dizer que apenas clarificou já que o processo não foi iniciado hoje) aqueles que são os eleitos que pertencem ao “Império Celeste” e aqueles que pertencem às tribos bárbaras tributárias deste grande ponto de emanação de “ordem”. Esquecem-se, ou preferem esquecer, que do outro lado da barreira que criam pode nascer um grande Khan…

“Eu sou o castigo de Deus… se não tivessem cometido grandes pecados, Deus não teria enviado um tão severo castigo como eu sobre vocês.” – frase atribuida a Gengis Khan

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3 responses

  1. O mesmo por outras palavras:
    O Social Conformismo – The Bystander Effect – Além do Poder dos Média
    Ouvir com webReader

    Quando houver só uma pessoa em torno de uma situação, as pessoas à sua volta estão muito mais propensos a prestar assistência às pessoas necessitadas, se é para ajudar a pegar algo que eles têm caído ou algo mais importante, como ajudá-los quando eles estão feridos.

    Quando há um grupo de pessoas, porém, ninguém age. Todos eles esperam que alguém vai fazê-lo, por isso ninguém é voluntário ou para para averiguar os se passa.

    Os testes de conformidade Asch foram uma série de estudos publicados na década de 1950 que demonstrou o poder de conformidade nos grupos. Estes também são conhecidos como o “Paradigma de Asch” e provou que as pessoas vão estar de acordo com uma opinião de um grupo, mesmo que os seus próprios pensamentos e perspectivas críticas entre em conflitos.

    Isto tem um efeito profundo quando se trata de opinião pública sobre questões como a guerra, a corrupção da conspiração, (fato) teorias e até mesmo o que aconteceu em 11/09, uma vez que a maioria das pessoas segue o principal relógio de fluxo de média televisiva, ea conformidade social será com base no que eles vêem no noticiário, muitas vezes ignorando as suas próprias opiniões de forma a não ser o proscrito e issso cria inacção e demissão do papel cívico.

    http://bioterra.blogspot.com/2011/09/o-social-conformismo-bystander-effect.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Bioterra+%28BioTerra%29

    Setembro 1, 2011 às 10:56 am

    • Sem desmentir nada do que disse (como poderia?) penso que existe um papel de responsabilidade pessoal que nunca pode ser totalmente apagado. Sim todos os factores conspiram contra nós, contra a nossa racionalidade e a tomada de decisões que sejam mesmo no nosso interesse mas a partir de certa altura as pessoas têm que começar a assumir os erros. Sejam eles eleitorais ou ideológicos ou de cobardia pessoal ou de qualquer outra natureza. O grupo não pode servir de capa moral às nossas falhas éticas.

      O que foi feito pode ser desfeito porque como diz o ditado “a única coisa sem solução é a morte”.

      Setembro 1, 2011 às 6:52 pm

  2. Pingback: O Elemento Democrático « Guerras Culturais

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