Já estamos em guerra, simplesmente isso não foi comunicado à maioria.

Os senhores deste mundo

Como já havia ficado prometido há uns meses (até durante a campanha para quem esteve atento) a nova legislação laboral parece apostada em derrotar tudo o que foi feito depois de 1974, em alguns casos parece mesmo decidida em ir mais atrás. Não só passamos então a ter o despedimento por inadequação (a palavra já existe no léxico legal mas enquanto antes era aplicada a mudanças tecnológicas e obrigava o empregador a recolocar o trabalhador o novo significado implica algo completamente diferente, como não cumprir objectivos “negociados” ou “diminuição de produtividade”) que além de se traduzir por despedimento livre e gratuito, num país em que o patronato tem uma cultura de abuso sistemático sobre a sua força de trabalho, introduz o efeito negativo do terror constante no funcionário (que a partir desta altura sabe estar completamente à mercê dos caprichos do empregador). Quase que funciona como uma escola de obediência social para as classes médias e baixas, baseada no medo claro. É uma alteração total do conceito de “justa causa”? Claro que é. É inconstitucional? Parece que é. Mas e depois? Os empresários do povo estão contentes com o seu governo e é isso que é verdadeiramente importante.

O novo sistema de compensação

Trabalhadores, que na sua maioria já estão privados de representação sindical real (basta ver que o trabalho tem tendência a ser precário e mesmo quando não o é há formas de penalizar quem sai da linha – isto sem contar com a guerra de propaganda anti-sindical começada pelos conservadores há mais de 35 anos), vão agora ser obrigados a cumprir objectivos que “negociaram” de forma individual com uma entidade comercial que pode facturar centenas ou milhares de milhões de euros anualmente. É incrível que esta farsa possa sequer ser noticiada sem ser seguida de uma crítica violenta (é aqui que se vê o quanto a imprensa é mesmo um negócio) quando o poder dos parceiros é completamente díspar. Que equilíbrio pode existir nestas situações? Que escolha existe senão aceitar o que é proposto? Que melhor forma terá uma empresa se livrar de alguém que pôr-lhe objectivos impossíveis em áreas problemáticas? E que dizer das quebras de produtividade? As armadilhas ao trabalhador são as mesmas acrescidas agora do facto, natural e humano, de não sermos máquinas e da nossa produtividade não ser constante, mas mais uma vez o objectivo é a destruição de tudo o que a pessoa tem fora do emprego até que a sua existência seja uma de pura servidão. A sua vida pessoal deve desaparecer, ou tornar-se vestigial, sob pena de não ter como se sustentar (e quem se se recusa ou não é capaz quase que perde o seu direito à existência). Sem dúvida que caminhamos para uma realidade laboral cada vez mais Dickensiana em que para sermos reduzidos a operários de século XIX só falta abolir o horário e salários mínimos e termos de pernoitar na fábrica.

A única função que esperam e permitem ao Homem comum

Um dos aspectos mais surreais desta política é que ela não é contra cíclica. Antes pelo contrário. Parece que se escolheram intencionalmente as medidas que mais poderiam penalizar qualquer hipótese de recuperação económica (dentro de um espaço de tempo realista como 3 ou 4 anos e não seis meses como este governo lança para os jornais). Na cultura que temos estas medidas vão levar a um aumento do despedimento que por sua vez vai levar as pessoas ao desemprego e a uma diminuição do seu rendimento para consumo. Por sua vez o subsídio de desemprego deve diminuir e as regras de atribuição vão apertar ainda mais o que reforça a perda de poder compra. Para quem ainda fica a trabalhar as horas extraordinárias vão perder metade do seu valor o que de novo reduz o rendimento do trabalhador. Além do efeito falsificador que os objectivos arbitrários vão ter nos horários, que inevitavelmente se irão tornar mais longos (não oficialmente) impendido assim a contratação de mais pessoas e o aumento do consumo dessas pessoas. Em tudo isto só se vê um agravamento profundo da crise que só poderia ser resolvida por uma dinamização das classes médias e baixas e do seu consumo associado! Parece que intencionalmente se quer agravar a situação social do país e gerar um clima de ainda mais que medo, puro terror. O terror pode ser uma ferramenta muito útil. Para o que é que se precisaria de tal utensílio é que já não sabemos.

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18 responses

  1. Não sabemos?! Mas o Nicolau já o disse… é para voltarmos à escravatura e se possível à guerra de novo. Os senhores do mundo utilizaram a classe trabalhadora para o que queriam,. Já roubaram tudo o que tinham a roubar ao povo, já privatizaram todo o património que podiam e estão na fase final. A partir de agora acabou-se a escravatura da “hipnose” e passamos à escravatura da força. Quanto ao trabalhador, será substituído pelas máquinas que não adoecem e não reivindicam direitos. A população a mais é para eliminar. Logo que a moeda colapse será uma “limpeza”.
    Está tudo conforme o que planearam.

    Setembro 22, 2011 às 9:33 pm

    • Agora pergunto eu Fada… Sabemos? Quem? Todos? Então o que estamos todos a fazer para acabar com este circo? Nada? Vamos à nossa vida como se nada fosse como a maioria parece preferir fazer? Ora bolas… então de que adianta saber?

      Setembro 22, 2011 às 10:29 pm

  2. Penso que só uma minoria infima sabe disso, uma grande percentagem poderia saber se soubesse escutar, mas a grande maioria não lhe passa pela cabeça. Acreditam piamente na boa vontade humana, sabem que o poder corrompe porque vêem isso, mas não admitem que seja a esse ponto…isto aqueles que têm mais acesso à informação, porque há muita gente que não procura o lado “negro” que faz mover o Mundo. Estou a ver o Mundo a desmoronar como um castelo de cartas, as guerras irão começar em força e a despopulação será massiva. Mas quando falo de armas climáticas acha que alguém acredita? – É ficção – dizem. Ainda ajudam a despopulação com estas armas e depois dizem que foi a vontade de Deus ou a Mãe Natureza que nos quis dar uma lição. Aí eu pergunto, se não existem porque pediu a Europa para que se regulamentassem?
    De forma que explicar isto a uma pessoa que trabalha numa loja, numa confecção, num talho, não dá. Nem a minha família que é bastante informada, sendo eu a que tem menos estudos e a menos culta, quer sequer ouvir-me falar do assunto.
    À conta de serem mantidos na ignorancia incapacitaram a nossa possibilidade de agir.
    Últimamente e por nada poder fazer, tenho tido pesadelos assustadores… nem imagina. Fica aqui informação sobre as armas climáticas para quem quiser saber: http://octopedia.blogspot.com/search/label/Armas%20Clim%C3%A1ticas e sobre o terramoto do Japão, que pelos vistos foi muito irregular, fica aqui: http://www.jimstonefreelance.com/fukushima.html.
    Só lhe digo que estamos tramados. Somos mesmo muito poucos para poder mudar as coisas. De resto ou são cépticos ou acreditam em tudo, até que os governantes estão feitos com aliens!!! A desinformação grassa pela net e é necessário bastante discernimento e pensar muito. Haja muita paciência.

    Setembro 22, 2011 às 11:27 pm

    • Pois, como compreendo, é tão mais agradável ignorar o assunto e falar de trivialidade, mesmo em casa. Penso que para a maioria nem é cepticismo, lá no fundo até sabem a maior parte das coisas mas é tão conveniente acreditar que se esperar e não fizermos ondas as nossas vidas voltarão ao “normal”… é um sonho traiçoeiro mas atractivo.

      Setembro 23, 2011 às 11:52 am

  3. Agora imagine o terror que se instalou com o 11/9 de 2001!… desde essa altura que eu tenho estado muito atenta e tenho vindo a alertar para o que está a acontecer, os que me rodeiam… ninguém acredita no que digo! Ninguém se dá ao trabalho de investigar as motivações destes senhores http://octopedia.blogspot.com/search/label/Bilderberg (na segunda página, estão os portugueses), de ler, de saber o que são as Fundações Rockfeller, Carnegie e Ford, ou o Instituto Tavistock! Assim não vamos lá! Assim, já fomos como se diz por aí, à vida!

    Setembro 22, 2011 às 11:40 pm

    • Nem precisava de ir tão longe Fada toda a industria do lobbying é um atentado à igualdade dos cidadãos. Como dizia Orwell… somos todos iguais mas há uns mais iguais que outros.

      Setembro 23, 2011 às 11:54 am

  4. Quando tiver tempo e puder ver esta reportagem com mais de dois anos, verá que o cerne da questão é a crise energética e o pico do petróleo que foi há muito atingido. http://www.alterinfo.net/Collapse-L-Effondrement-En-route-vers-les-10-commandements-des-Georgia-Guidestones_a61992.html Agora o próximo passo será o colapso.
    Agora pense porque andam as potências numa corrida desenfreada aos recursos naturais, sem olhar a meios e que faz parecer que o amanhã não existe.
    Ontem li que a Rússia vai reforçar a defesa no Ártico pois os EUA e a UE não têm direito ao petróleo. Se vir essa reportagem saberá porque descongelou tão depressa o Ártico. http://rt.com/usa/news/cold-war-arctic-us/

    Setembro 23, 2011 às 2:31 am

  5. Alves

    Concordo com quase tudo menos com a parte dos sindicatos, eu por exemplo sou precário e sou sindicalizado, porque senão ainda estava pior na minha empresa. Eu percebo que haja medo de sermos sindicalizados, mas se não o formos, se não nos unirmos mais ficamos à mercê dos patrões. Nunca nada foi dado aos trabalhadores sem este lutarem, e já na altura do fascismo, do esclavagismo etc, estes se uniram para conquistar uma vida melhor. É dificil sem dúvida, mas nós somos muitos mais …

    Setembro 23, 2011 às 10:16 am

    • Alves,

      Somos muito mais mas também muito fracturados e muito dispostos a deixar pessoas para trás (os desempregados, os com mais de 50, os da terceira idade, os… enfim… a lista continua). Isso é que não pode ser, temos mesmo que nos convencer que estamos todos no mesmo barco, todos. No que toca a poder e direitos nunca houve ofertas, aos trabalhadores ou a seja quem for, as novas situações simplesmente traduzem novos equilíbrios de poder (seja entre países ou classes) a questão é que a principal ferramenta popular (supostamente neutralizadora das disparidades de riqueza e poder) que é o Estado foi raptada para não mais ser devolvida e substituída por um simulacro que só garante coisas no plano legal (ou seja, em teoria quando tanto)… o que nos deixa a todos órfãos.

      Setembro 23, 2011 às 12:00 pm

  6. Vivemos tempos estranhos, muito estranhos. Só agora nos demos conta de que entrámos na Era da Escravidão Moderna. E dada a pouca disposição que em geral manifestamos para falar destes temas e discuti-los, é caso para dizer que, tanto os Bilderbergs como os filhos da puta dos patrões em geral, conseguiram dividir-nos. Cada vez mais estamos a ser encurralados… Entre a “politica de medo” que propagandeiam os meios de comunicação e intelectuais ao serviço dos estados ou instituições financeiras… passando pela des-racionalização das sociedades ou até, (e esta pessoalmente magoa-me bastante): a “futilização do artista”, que cada vez mais se vende/prostitui por dinheiro esqueçendo a mensagem e papel que sempre teve na “consciencialização/informação independente” dos problemas existentes nas sociedades… faz-me pensar, quando paro para o fazer… “Será que enlouquecemos todos de vez?” Sim, estou seguro disso e os que ainda não enlouqueceram vão sendo marginalizados aos poucos até que “os coma a frustação interior” de ver o mundo a colapsar-se com o nosso permisso… Estamos de acordo que se bombardeiem inocentes com os nossos impostos (O.T.A.N.)? Estamos de acordo com as sucessivas aprovações de leis do código de trabalho Europeu, de livre despedimento e o esmagar de direitos dos trabalhadores por parte das empresas? Estamos de acordo com o desaparecimento da moeda fisica em detrimento do cartao de credito, para passarmos a ser controlados totalmente por um cartao digital ou redes sociais? Estamos de acordo com o veto da O.N.U. ao reconhecimento do Estado palestiniano? Estamos de acordo com que milhões de pessoas morram à fome quando se produz suficiente quantidade de alimentos para alimentar toda a população mundial? Estamos de acordo em que se continue a apostar no petróleo quando existe energias menos poluentes? Estamos de acordo com que seja proibido andar com as bikes no metro e comboios em horário que nos permita ir trabalhar sem carro? Estamos de acordo com que a Igreja católica continue a não pagar os devidos impostos e crianças sob a sua alçada “paguem em géneros” a falta de escrupulos dos seus intervenientes? Enfim, poderia estar aqui meses a escrever sobre tudo o que de facto me atormenta nos dias que correm… mas não sei se vocês estariam de acordo…

    Setembro 23, 2011 às 10:18 am

    • Rui Pontes Gouveia,

      Penso que falo pela maioria dos comentadores que por aqui passa que estamos de acordo com a esmagadora maioria do que disse senão mesmo tudo. Precisamente por poucos de nós (e aqui falo em termos mais latos, população em geral) estarem de acordo com as atrocidades que menciona é que nada é sujeito a voto (até a Europa quando se começou a desviar daquilo que todos tínhamos imaginado foi subtraída à esfera democrática não fossemos nós boicotar planos de pessoas mais importantes). Claro que há aqui coisas que fazem parte da política externa de um país e não podem ser votadas sob risco de se perder qualquer poder de negociação mas penso que não foi essa a razão para nada nos ser perguntado… a verdade é que não havia necessidade porque alguém já tinha definido por nós a posição externa nacional e ela nada tem de semelhante com a vontade popular ou mesmo com interesses estratégicos, somos um país verdadeiramente sem autonomia.

      O fenómeno da interioridade é algo que penso que também todos partilhamos por aqui… a quantidade de informação é razoável e transmitir isso numa conversa de 10 minutos é impossível (ainda por cima quando desdizemos os senhores comentadores respeitáveis que andam pela tv, rádio e jornais a vender a sua banha da cobra). Sofremos de dois problemas, o primeiro é uma falta de credibilidade mais generalizada (ou seja fora do circulo de pessoas que comenta em sítios como este, lê e está atenta) e o segundo é termos pouco ou nenhum poder ou organização. The Powers that be usam estas duas armas com uma mestria tremenda para nos reduzir aos nossos círculos pessoais de impotência e frustração.

      Setembro 23, 2011 às 12:12 pm

    • Grande comentário o do Rui Pontes Gouveia. Focou uma faceta da sociedade humana muito importante e que está a desaparecer, a Voz dos artistas e humanistas. Existia um activismo que no final do séc. XX se desvaneceu por completo, mas não os censuro. Censuro sim os media que se empenham fortemente na inversão completa dos valores e dão apenas destaque àqueles que queiram estar nisso empenhados. Vou aqui dar dois exemplos, o caso do Bono dos U2, trabalha árduamente para os senhores do Mundo e para a NOM, como se pode ver aqui: http://octopedia.blogspot.com/2011/05/bono.html e aqui o quanto ganha com isso, uma boa parcela do fb http://octopedia.blogspot.com/2011/05/russia-entra-no-facebook.html. O outro exemplo é o falecido locutor de rádio, António Sérgio que teve uma carreira cheia de obstáculos pelas músicas que colocava no ar. Penso que pela simples mensagem contida nas letras da música, era constantemente banido das rádios ou só tinha antena a horas muito tardias.

      Fui entretanto ao blogue do meu jornalista preferido pois em Portugal é o único de investigação e já não consigo comentar mais… vejam o que descobri http://paramimtantofaz.blogspot.com/2011/09/escadinhas-dos-terramotos.html#links O problema é que sigo o Frederico há uns anos e tem acertado sempre ao contrário dos blogues anti nova ordem no geral! Se viram os links que deixei, é caso para ter receio.

      Setembro 23, 2011 às 5:15 pm

      • A notícia está aqui, http://www.prensa.cl/terremoto-eeuu-27-septiembre-eeuu-chile-japon-elennin-cometa/ falta saber se é verdade e como sabem eles, que vai ser no hemisfério norte. Espero que seja falso alarme mas que as coisas estão complicadas no mundo noticioso, estão. 😦

        Setembro 23, 2011 às 8:36 pm

      • Sem querer cair em voluntarismos simplistas (e a nossa tradição nacional nesse campo é péssima, algumas raposas sabidas que tendem a levar os louros e a raptar os objectivos) acho que se devia perguntar onde está o nosso activismo, como cidadãos normais (sem grande poder individual)? Certamente é de fora do sistema que tem que vir uma resposta. Qualquer resposta.

        Setembro 24, 2011 às 5:49 pm

  7. Em imagina o quanto gostaria de estar errada, mas chego aqui para ver as notícias e olhe o que encontro: http://contextolivre.blogspot.com/2011/09/estudo-projeta-alta-de-431-no-preco.html e ainda: http://rt.com/usa/news/china-america-oil-canada/

    Setembro 23, 2011 às 11:23 am

    • Fada,

      Para países como Portugal que não têm uma gota de recursos próprios isto pode ser problemático… mas a questão é que oiço falar em energias alternativas caras a preços de hoje mas não deveríamos estar a fazer contas a uma média ponderada de preços entre 20 e 50 anos? (dentro do possível que se pode prever num espaço tão alargado de tempo). Fico sempre com a sensação que o nosso planeamento estratégico é feito em cima do joelho e só para dar umas bocas para os jornais.

      Setembro 23, 2011 às 12:18 pm

  8. Pingback: O fim da bolha « Guerras Culturais

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