Já estamos em guerra, simplesmente isso não foi comunicado à maioria.

Forças de Mercado

É hilariante ver como quem defendia intransigentemente o pagamento integral da dívida grega vai agora aceitar pacatamente metade desse valor sem mais questões. É a prova que os próprios credores reconhecem que essa dívida não foi acumulada de forma honesta e que mesmo perdendo 50% dela continuarão a ganhar escandalosamente com a quase falência de uma país e o abandono de milhões de pessoas à mais pura selvajaria económica e injustiça social. Mais divertido ainda é ver como um dos principais sorvedouros de dinheiro deste país continua activo e de boa saúde. O desastre BPN foi posto aos pés do anterior governo (cada um que acredite nos contos de fada que quiser…) mas mesmo depois de vendido (a parte saudável – por um preço escandalosamente baixo que levante sérias dúvidas sobre quem definiu os prazos de venda) deixou-nos os activos tóxicos para serem financiados por nós.

Temos que compreender que há pessoas que não podem ser abandonadas à sua sorte... o comum dos mortais não faz mal mas membros das elites económicas? Seria o fim da civilização...

A banca mais uma vez recusa tomar qualquer acção que ajude a arcar com este fardo e levanta uma questão cada vez mais premente: para que serve? Não arca com o seu peso em impostos. Não financia a economia real como devia, pois tem a maioria dos seus activos em empréstimos à habitação e ao consumo. Não aceita um esquema de taxação especial de alguns dos seus accionistas mais ricos cujos ganhos são inteiramente de natureza especulativa. E por fim alguns exigem 12 mil milhões (valor mínimo) do dinheiro que vamos receber do FMI sem dar nada em troca. Dada esta situação começo a perguntar-me se não seria mais saudável para o país simplesmente ter o estado como entidade que concede empréstimos à economia e privados (de forma directa) em vez de termos os bancos como intermediários que não acrescentam nada à equação que não sejam custos e taxas extra ao cidadão (que não recebe nada em troca e ainda paga duas vezes o mesmo valor, uma vez aos estrangeiros em impostos e outra à banca nacional acrescida de uma gorda comissão). Numa altura que se fala de privatizar o que resta da banca estatal eu acho que era de considerar a criação de um modelo de empréstimo estatal directo, com ou sem a Caixa Geral de Depósitos, como forma de aliviar o custo do crédito útil.

Internacionalmente é quase deprimente olhar para a figura que fazem os políticos portugueses que regularmente se vão humilhar ritualmente perante outros líderes europeus (a si próprios e inevitavelmente, por associação, a nós) para dar provas que são mesmo bem mandados (ou “bons alunos” como eufemisticamente os media preferem). Sim estamos em dificuldades mas temos também um poder destruidor dentro da zona euro completamente desproporcional ao peso real da nossa economia o que nos torna perigosos e com mais a perder do que a ganhar com o status quo – a isto dá-se o nome de poder negocial, facto que o nosso governo parece desconhecer. Tudo isto parece passar ao lado das nossas elites (meritocráticas segundo dizem e está na moda) e preferimos continuar a apresentar-nos sem dignidade, orgulho ou honra face a uma Europa cheia de preconceitos contra a Europa do Sul. Queremos ser vistos como bons tecnocratas económicos, fiéis servos dos mecanismos de mercado nem que isso arruíne ainda mais o já muito fraco peso político internacional do país.

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5 responses

  1. Isto é realmente revoltante! Sinceramente!
    Esta notícia foi escondida na imprensa portuguesa? http://www.reuters.com/article/2011/10/27/us-banks-europe-idUSTRE79Q1U320111027… não vi nada sobre isto, só na net.

    Outubro 27, 2011 às 4:57 pm

    • O que “não interessa” vai sempre sendo empurrado para as margens… é aquelas zonas cinzentas em que não podemos afirmar categoricamente que há censura mas também não damos credibilidade ao meio de comunicação…

      Outubro 28, 2011 às 12:16 am

  2. Conseguiu aceder á página? é que diz “not found”… Vou tentar de novo pois tem a ver com os mercados, mais própriamente com os donos dos mercados, a banca:
    http://www.reuters.com/article/2011/10/27/us-banks-europe-idUSTRE79Q1U320111027. Está no blogue o Diplomata e de lá dá acesso…
    Por falar n´O Diplomata, já lá está o seu comentário.

    Outubro 28, 2011 às 12:10 pm

    • Já tinha conseguido Fada 🙂 eu reparei que a morada do site tinha dois “.” a mais e por isso foi só apagar que dei com a noticia 😉

      Outubro 28, 2011 às 1:37 pm

  3. A falha foi minha e nem sabia porquê… 🙂
    Em relação ainda aos mercados, veja bem como vivemos tempos demasiado perigosos e como a ditadura se está a fechar sobre nós e a consolidar. Enquanto as pessoas discutem o que está errado, as corporações, neste caso uma polícia de Estado a FDA, sorrateiramente vai fazendo aprovar novas regras que irão, caso entrem em vigor, bloquear ou impedir o acesso livre e com liberdade de escolha das pessoas, aos produtos não oriundos do Complexo Médico-Farmacêutico.

    Escrevo esta mensagem para pedir que assinem ESTA acção dirigida à FDA por forma a que a nova regulamentação de imposição de notificação de Novos Ingredientes Dietéticos pré-1994 não seja aprovada. https://secure3.convio.net/aahf/site/Advocacy?cmd=display&page=UserAction&id=879

    Caso contrário praticamente tudo o que é de origem natural e que tem sido utilizado pela nossa espécie ao longo muitos e muitos anos, passa a ser PROIBIDO.
    Por favor assine e divulgue…
    Resumindo estamos bem tramados.
    Kissinger está a momentos de conseguir os seus objectivos… “Controla a alimentação e controlarás o Mundo”.

    Entretanto outra notícia alarmante: NATO QUER CONTROLAR A INTERNET ATRAVÉS DE PORTUGAL E CHAMA-LHE “ESCOLA”
    http://amafiaportuguesa.blogspot.com/2011/10/nato-quer-controlar-internet-atraves-de.html
    Até agora andei preocupada e revoltada durante muitos anos, mas agora estou a ficar realmente triste e quase sem esperança. Está demasiada escondida esta tramóia para a grande maioria das pessoas e as que estão mínimamente informadas, é pelos meios de comunicação alternativos, ou seja internet. Dou-me conta que esse nº de pessoas não passa de um nº residual e não vamos conseguir dar a volta a esta situação sufocante.

    Outubro 28, 2011 às 2:34 pm

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