Já estamos em guerra, simplesmente isso não foi comunicado à maioria.

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Notas “Filosóficas”

Eu admito que acho engraçado ler o que os intelectuais da nossa praça (até os auto-exilados em condições paradisíacas nas melhores cidades Europeias) têm a dizer sobre o país do qual supostamente ainda fazem parte. A erudição extra deve ajudar a criar perspectivas novas  e vivificantes que quebrem os moldes meramente técnicos em que todos os organismos inevitavelmente caem com o tempo. Foi nesse espírito que dei uma espreitadela ao micro texto de Eduardo Lourenço (apenas uma pequena amostra do que pelos vistos foi um discurso numa conferência). Devo dizer que parecia que estava a ler um discurso com o “best of” de Cavaco Silva: muita esperança, “a Europa há de se levantar” e “isto não pode durar para sempre“. Admito que também vemos uns quantos toques eurocêntricos de necessidade Sebastianista de relevância a nível mundial (não houve referências a um Quinto Império, felizmente, porque fica realmente mal a um intelectual que se quer internacional) portanto não é só repetições de uma mesma fonte.

Não há melhor aviso a fazer.

É profundamente irritante ver estas pessoas que supostamente têm uma enorme responsabilidade moral em nos informar e abrir perspectivas (o “Intelectual” como arquétipo é isso mesmo, alguém que se desliga da sociedade, em termos por exemplo dos seus interesses privados, para depois de pensar sobre ela poder voltar com novas visões, alguém que assume algum grau profundidade de pensamento que a maioria não está nem capacitada nem motivada para fazer) mas no entanto o que acabamos por ter é o debitar do que,na minha modesta opinião, são meras trivialidades que qualquer aluno médio de 1º ano de faculdade nos poderia dizer. Fora a conversa de “optimismos” e a noção que parece estar subjacente a todo o texto de “temos que aguentar o que for necessário, o que nos ordenarem” ficamos reduzidos a uma proposta de um federalismo mais solto como modelo Europeu (como se houvesse escolha num mundo que não aceita ceder soberanias e em que ninguém quer uma Europa a uma só velocidade) e a espantosa conclusão que se a Grécia cair outros se seguirão incluindo nós (até alguém com sérias dificuldades em entender conceitos económicos ou de teoria social poderia ter chegado a esta conclusão, basta entender o conceito de bola de neve).

Sem comentários...

Em suma. Pessoalmente defendo que textos destes não merecem publicação. Desculpe-me o autor, desculpe-me o jornalista e desculpe-me o jornal (sei que estão no direito de fazerem o que quiserem mas eu também penso estar no direito e dever de comentar livremente) mas a verdade é que são apenas trivialidades aparentemente misturadas com uma mensagem sub-reptícia de alguma submissão popular (não consigo identificar se isto se deve ao que o autor diz ou à edição do seu texto) à visão dos sábios nas suas torres de marfim (o que em Portugal é juntar a fome com a vontade de comer já que sempre tivemos uma adoração por tecnocratas, especialmente se afectarem uma falsa modéstia semi-provinciana (como o nosso ex-ditador que criou o “template”), e uma vontade de obedecer para evitar a responsabilização pessoal). No século XXI exige-se muito mais de um intelectual de primeira linha que isto. Quanto mais não seja porque as necessidades são maiores.

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Mass Destruction – Faithless

 

Whether long-range weapon or suicide bomber
Wicked mind is a weapon of mass destruction
Whether soaraway Sun or BBC 1
Misinformation is a weapon of mass destruct
You coulda Caucasian or a poor Asian
Racism is a weapon of mass destruction
Whether inflation or globalization
Fear is a weapon of mass destruction

My dad came into my room holding his hat
I knew he was leaving,
He sat on my bed told me some facts.
Son, I have a duty, calling on me
You and your sister be brave my little soldier
And don’t forget all I told ya
You’re the mister of the house now remember this
And when you wake up in the morning give ya momma a kiss
Then I had to say goodbye
In the morning woke momma with a kiss on each eyelid,
Even though I’m only a kid
Certain things can’t be hid
Momma grabbed me
Held me like I was made of gold
But left her inner stories untold
I said, momma it will be alright
When daddy comes home, tonight

[CHORUS]
Whether Halliburton, Enron or anyone
Greed is a weapon of mass destruction

We need to find courage, overcome
Inaction is a weapon of mass destruction (x3)

My story stops here, let’s be clear,
This scenario is happening everywhere.
And you ain’t going to nirvana or far-vana,
you’re coming right back here to live out your karma.
With even more drama than previously, seriously.
Just how many centuries have we been
waiting for someone else to make us free?
And we refuse to see
that people overseas suffer just like we:
Bad leadership and ego’s unfettered and free
Who feed on the people they’re supposed to lead
I don’t need good people to pray and wait
For the lord to make it all straight.
There’s only now, do it right.
‘Cos I don’t want your daddy, leaving home tonight

[CHORUS]
Whether Halliburton Enron or anyone
Greed is a weapon of mass destruction

We need to find courage, overcome
Inaction is a weapon of mass destruction (x3)


Manobras de contenção

Por toda a Europa multiplicam-se as tentativas de acalmar o que pareceu ser um onda de agressão espontânea direccionada contra os grandes desequilíbrios sociais que se estão a construir de forma semiautoritária (sem submeter o grosso desta transferência de riqueza a referendos e outros métodos de escrutínio da opinião pública). Sobre a capa de se querer evitar a desagregação social (como se o facto de as pessoas se unirem para contestar o que está a acontecer não fosse prova do contrário) está-se a aplicar ora medidas repressivas ora medidas de distracção ou acalmia para continuar todo o processo até ao seu fim (o chicote e a cenoura para o burro não parar de vez). A parte mais deprimente de todo o processo é como tentam desviar as pessoas para o protesto banal e ineficaz que acaba por ter os mesmos efeitos do conformismo mais apático à face da Terra.

Mais uma enorme escolha desprovida de qualquer significado ou consequência.

Em Espanha andam todos distraídos, em véspera de eleições, com uma visita do papa, líder de uma Igreja que nunca teve pudor em dizer quem apoiava (a visita vai ter direito à presença da família real outra entidade completamente partidária e que serve, na opinião de muitos espanhóis, juntamente com a Igreja da baluarte do conservadorismo espanhol e do que resta do legado franquista). Ou seja não só as pessoas têm direito a um espectáculo público como também a comício para irem bem orientadas para as urnas (claro que tudo é feito sobre a mais estrita neutralidade legalista mas isso só mostra o lado perverso de se prestar atenção exclusivamente à formalidade – não haverá provavelmente uma palavra partidária directa nos discursos mas para bom entendedor…). Parece que, tal como na Noruega (só coincidências…), havia um plano de atentado (envolvendo por pelo menos um devoto cristão conservador) ao que poderia ser considerado a ala liberal do país (neste caso os que se opunham a que o Estado Espanhol arcasse com um cêntimo do custo desta visita papal). Neste caso, felizmente, foi possível evitar uma desgraça e apanharam-no antes que pudesse fazer estragos.

"Gangs isolados", "vandalismo" é o que mais se gosta de usar... e que tal: combate urbano e rebelião popular?

Pelo Reino Unido a técnica continua a ser a pálida imitação da baronesa Thatcher que o primeiro-ministro David Cameron parece empenhado em prosseguir. É prisões para os revoltosos e para quem “publicitou/incitou” a revolta. Ficamos sem saber se as tvs também serão multadas e os seus jornalistas principais encarcerados. Ou são apenas determinadas opiniões sobre o tema que dão direito a ir preso? Será mesmo que a causa de uma semana de caos urbano no Reino Unido pertence realmente a dois miúdos que usaram uns slogans? Quando se tornar muito incómodo também se fecharão as redes sociais e blogs como no médio oriente? Ficamos também sem saber qual é a moral de um governo que prende jovens adultos nestes casos mas permite que os seus “cidadãos mais respeitáveis”  investir (de forma legal) em armas proibidas. Será que irão colocar a cara dos presidentes dos Conselhos de Administração destes bancos em ecrãs ao longo de Londres para os encontrar e identificar? Em Portugal ficamos sem saber muito bem quando é que apoio ou palavras de ordem serão criminalizadas (esperemos não chegar a tanto porque as penalizações pessoais por emitir opiniões de qualquer ordem já são pesadas o suficiente). De qualquer forma ficamos a saber que a última reforma do governo prepara-se para criar mais 40000 desempregados (e neste ambiente económico são permanentes) como “dano colateral”. Estranha forma de contribuir para a estabilidade.


What It’s Like – Everlast

 

We’ve all seen the man at the liquor store beggin’ for your change
The hair on his face is dirty, dreadlocked and full of mange
He ask the man for what he could spare with shame in his eyes
Get a job you fuckin’ slob’s all he replied

[CHORUS]
God forbid you ever had to walk a mile in his shoes
‘Cause then you really might know what it’s like to sing the blues
Then you really might know what it’s like [x4]

Mary got pregnant from a kid named Tom who said he was in love
He said don’t worry about a thing baby doll I’m the man you’ve been dreamin’ of
But three months later he said he won’t date her or return her call
And she sweared god damn if I find that man I’m cuttin’ off his balls
And then she heads for the clinic and she gets some static walkin’ through the doors
They call her a killer, and they call her a sinner, and they call her a whore

[CHORUS]
God forbid you ever had to walk a mile in her shoes
‘Cause then you really might know what it’s like to have to choose
Then you really might know what it’s like [x4]

I’ve seen a rich man beg
I’ve seen a good man sin
I’ve seen a tough man cry
I’ve seen a loser win
And a sad man grin
I heard an honest man lie
I’ve seen the good side of bad
And the down side of up
And everything between
I licked the silver spoon
Drank from the golden cup
Smoked the finest green
I stroked the fattest dimes at least a couple of times
Before I broke their heart
You know where it ends
Yo, it usually depends on where you start

I knew this kid named Max
He used to get fat stacks out on the corner with drugs
He liked to hang out late at night
Liked to get shit faced
And keep pace with thugs
Until late one night there was a big gun fight
Max lost his head
He pulled out his chrome .45
Talked some shit
And wound up dead
Now his wife and his kids are caught in the midst of all of his pain
You know it crumbles that way
At least that’s what they say when you play the game

[CHORUS]
God forbid you ever had to wake up to hear the news
‘Cause then you really might know what it’s like to have to lose
Then you really might know what it’s like [x3]

To have to lose… 


Os perigosos marginais

Que nos dizem compor de forma exclusiva as multidões puseram várias cidades do Reino Unido a ferro e fogo. Ou pelo menos as partes comerciais, e, no fundo, é isso a única coisa que interessa, a sacrossanta propriedade empresarial (diferente da meramente privada) e os seus fluxos de libras, e daí a tentativa de penalizar brutalmente os participantes. Resumindo para ficarmos todos entendidos, estamos autorizados a protestar no Ocidente desde que esse protesto não tenha qualquer efeito concreto. A partir do momento que coloca algo em risco, especialmente o fluxo económico, os cidadãos em causa quase perdem o estatuto de humanos e são atacados de todas as formas possíveis e imaginárias até se transforem apenas em exemplos repressivos sobre o que acontece a quem não é um “cidadão responsável”. Na Roma Antiga os seis mil soldados de Espártaco que sobrevieram à terceira Guerra Servil (70 A.C.) foram crucificados ao longo da Via Ápia (de Cápua a Roma) como exemplo, hoje evoluímos temos todo um sistema judicial para punir os revoltosos sem derramar uma gota de sangue. Que humano, higiénico e civilizado da nossa parte.

A fusão entre espectáculo e justiça

Todo o contexto destas revoltas está a ser ignorado e estão a dar às massas (especialmente uma ex-classe média que não percebeu que amanhã poderão ser eles nessa situação) um espectáculo de punição e agressão como elas sempre adoraram. Não saberemos se isto conterá a insatisfação crescente ou simplesmente criar uma barreira de medo adicional a todos os cidadãos. Mas de algumas coisas temos certezas. As pessoas que estão a ser tratadas como lixo humano e ignoradas não vão a lado nenhum. O número de pessoas que integra este grupo não pára de crescer (e só pode aumentar com a gravidade da crise económica que vivemos e aquela que ainda está para vir e se vai ter o seu coração na Ásia). E por fim qualquer barreira de medo pode ser ultrapassada quando as condições se deterioram o suficiente. Por isso as populações europeias têm que reflectir muito bem sobre que tipo de sociedades querem ou estão dispostos a ter e a que preço.

Somos livres de ser iguais, livres de não escolher, livres de produzir o que nos mandam. Viva a Liberdade!

Num aspecto puramente humano é deprimente ver como as pessoas embarcam tão depressa na desumanização dos seus concidadãos assim que os seus reflexos de Pavlov são activados ao verem alguns inconvenientes às suas vidinhas. Deixam de ver todas as perspectivas que não sejam punitivas e preferem esquecer as causas de tudo isto o mais cedo possível. Como se estas pessoas não existissem nem nunca tivessem existido. Rezem para não vir um dia ter que estar nesta situação e verem-se incluídos no grupo dos “delinquentes”.