Já estamos em guerra, simplesmente isso não foi comunicado à maioria.

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Os presentes de Pandora

À medida que a crise se arrasta e percebemos, a um nível quase molecular, que isto não é um simples “safanão” mas antes uma possível mudança permanente nas relações económicas e sociais (de degradação contínua) há grupos e pessoas que teimam em aparecer para no fundo fazerem uso das excelentes condições do país para alterações radicais – mais uma vez repito (pode ser que algum “boy” de um partido leia isto por acidente e aprenda) não é possível exigir civismo a quem nada tem e um sistema composto, em grande parte, por pessoas que nada têm investido nele e na sua continuação estão mais que dispostas a mandar tudo abaixo, é só uma questão do aperto e desespero continuarem. Os grupos não são homogéneos nem partilham opções ideológicas de forma monolítica (nem na forma de agir diga-se) mas têm algumas coisas em comum. Como por exemplo o facto de mesmo em tempo de crise conseguirem arranjar financiamento para continuar a operar quando são perfeitamente marginais em termos de sociedade (o que quer dizer que o peso económico de alguns dos seus membros não é de desconsiderar) e também conseguem captar tempo de antena mesmo não tendo peso social significativo (pelo menos até agora) o que nos leva a supor que além de terem alguns membros de carteira pesada também terão melhores posicionamentos sociais que a maioria. Ou seja são movimentos que parecem emanar, directa ou indirectamente, das nossas “elites”.

"Power is not an institution, and not a structure; neither is it a certain strength we are endowed with; it is the name that one attributes to a complex strategical situation in a particular society." - Michel Foucault

Em primeiro aparecem os monárquicos. Herdeiros de uma linha derrotada e escorraçada em 1834. Detentores de “títulos” que ninguém conhece ou reconhece. Pretendentes num país que não tem o que pretendem. Ultramontanos intransigentes numa nação secularizada e cada vez mais diversa. São a quintessência das contradições lógicas e históricas de um país de memória curta. Conviveram com a ditadura na esperança de um destino semelhante ao espanhol, em que Franco restaurou o privilégio de nascimento, mas as voltas saíram-lhes trocadas. Aparecem agora como defensores da moral e bons costumes e claro que não faltam oportunidades deste grupo perfeitamente exógeno à sociedade portuguesa se exprimir às massas. Como é que se justifica isto jornalisticamente não sei mas em termos ideológicos a mensagem é clara: estamos cá e até não somos tão maus como nos pintam.

“Everyone likes flattery; and when it comes to Royalty you should lay it on with a trowel." - Benjamin Disraeli

Em segundo lugar aparecem os grupos de extrema-direita de inspiração mesmo fascista. Existem por toda a Europa e partilham sempre a mesma técnica de organização e tipo de discurso. Medo e violência são o pão nosso de cada dia na mente destas pessoas, medo que visam inspirar nos outros (quer quem os contradiz quer quem os apoia) e violência que se manifesta no mínimo ao nível dos discursos (sempre contra grupos que formem bons bodes expiatórios e sem mecanismos de defesa) e não poucas vezes através de organizações paramilitares organizadas paralelamente (a relação entre partido e milícia é sempre negada mas as investigações feitas internacionalmente provam precisamente o contrário, há sempre um elo claro de ligação em ideologia e financiamento). Há também sempre a dicotomia entre a aparência democrática (instituição que desprezam de alma e coração) e a realidade das suas crenças internas, totalitárias, e da violência que em muitos países fazem recair sobre vítimas inocentes (espancamentos a imigrantes, minorias religiosas ou sexuais são ocorrências frequentes quando não terminam mesmo em mortos).

As novas e fantásticas escolhas que nos querem dar...

Enquanto estes ganham força política o cidadão, como figura central da sociedade, quase que desaparece. Aos medos de subsistência juntam-se o medo político de poder ter que viver num regime radicalmente diferente daquele que permite uma genuína individualidade (e não é este que temos mas que, apesar de tudo, está mais próximo, por anos-luz, que os outros dois deste ideal). A opressão semifeudal do sistema económico em construção acrescenta ainda mais limitações à nossa acção e pensamento e muitos já desistiram de viver e dedicam-se apenas a sobreviver. São tempos perigosos para Homens livres. Boa noite, e boa sorte caro concidadão.

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Free – Lighthouse Family

 

I wish I knew how it would feel to be free
I wish I could break all the chains holding me
I wish I could say all the things that I should say
Say ‘em loud say ‘em clear
For the whole wide world to hear

I wish I could share
All the love that’s in my heart
Remove all the bars that keep us apart
And I wish you could know how it is to be me
Then you’d see and agree that every man should be free

I wish I could be like a bird in the sky
How sweet it would be if I found I could fly
Well I’d soar to the sun and look down at the sea
And I’d sing cos I’d know how it feels to be free

I wish I knew how it would feel to be free
I wish I could break all the chains holding me
And I wish I could say all the things that I wanna say
Say ‘em loud say ‘em clear
For the whole wide world to hear
Say ‘em loud say ‘em clear
For the whole wide world to hear
Say ‘em loud say ‘em clear
For the whole wide world to hear

One love one blood
One life you’ve got to do what you should
One life with each other
Sisters, brothers

One love but we’re not the same
We got to carry each other Carry each other
Wo-ah Wo-ah Wo-ah Wo-ah…

I Wish I knew how it would feel to be free
I Wish I knew how it would feel to be free


A socialização como mentira e fuga

Se calhar o que venho para aqui escrever não vem como um choque para a maioria (ou talvez até venha, a certa altura neste caos torna-se complicado entender a maioria das pessoas) mas a mim choca-me o suficiente para lhe dedicar umas linhas. Os portugueses têm terríveis falhas no que diz respeito à sua ética pública (por oposição ao que fazem na sua vida privada, não interessa nada se reciclam ou gostam de gatinhos… exemplos esses que não passam de tentativas “filosóficas” baratas de fragmentar e privatizar o comportamento político) que os tornou co-autores da sua situação presente e que até este momento (ou em qualquer outro da nossa história) não parecem estar dispostos a fazer uma auto-análise fria que pudesse, com tempo, corrigir a situação. O que me chama mais a atenção é o facto de nada ser verdadeiramente levado a sério (e isto é fenómeno quase único na Europa). Rigorosamente nada consegue ser elevado a um nível superior à conversa de café (daquelas em que depois cada um vai à sua vida depois de ter mandado duas bocas sobre temas que desconhece intencionalmente) e nada foge a esse mecanismo de defesa psicológica primário que é a piada tonta. O mundo colapsa aos pés dos portugueses mas não faz mal porque é sexta e o jantar com os amigos vai-os animar de certeza. Como se no Sábado de manhã o seu mundo não estivesse tão destruído e arruinado como sempre, como se fosse possível uma fuga da realidade através do contacto social. A socialização “excessiva” funciona quase como uma droga de escape que os portugueses não conseguem largar ou pelo menos abrandar o consumo.

A segurança de saber que os nossos pares não podem estar todos errados...

Esta socialização extrema não só inibe a ansiedade face ao desconhecido mas, como qualquer pensamento de grupo, tende a inibir a individualidade e o desejo de diferenciação. De certa forma grande parte da população poderia ser comparada a adolescentes que apenas querem assegurar a sua pertença ao “grupo” (seja ele qual for) e a perpetuação das poucas coisas que realmente os definem (daí nesta sociedade a individualidade genuína, complexa por definição, ser estigmatizada como excentricidade ou mesmo loucura, conforme o caso e o grau de ameaça à estrutura socioeconómica como um todo). Neste verdadeiro submundo que criámos para nós próprios (e onde certos grupos gostam de nos manter, entretidos com personalidades vácuas e inconsequentes de carácter) vigoram certas regras muito próprias. É por isso que a palavra do português (até num contexto puramente de negócios) vale tão pouco. Ele espera mentir e que o receptor da mensagem entenda que ele está a mentir e aja de acordo com essa informação. A seriedade nem é tomada como opção. O mesmo se aplica à política onde se fazem as “escolhas menos más”, mais uma vez a ideia de existir um projecto sério (nem que seja em potência) nem sequer entra na mente do eleitor. É um jogo de mentiras que se estende dos palacetes de Sintra e Cascais até ao nível mais corriqueiro do camionista a tomar uma cerveja com os amigos na tasca.

Já tirou a maçã para poder finalmente descobrir quem você é?

Claro que tudo isto nos torna, aos olhos de turistas e nacionais mais optimistas (ou bem servidos), uns tipos castiços com uma cultura interessante de explorar. O problema caro leitor é que isto não é um safari ou uma expedição antropológica, são as nossas vidas. O tecido da realidade social foi tão corroído pela nossa incapacidade de lidar com a verdade (e daí o recurso sistemático à mentira a todos os níveis) que corre o risco de se desfazer com um sopro forte. O grupo social, que é onde todos parecem procurar refúgio, não pode afogar as nossas mágoas porque as partilha e não nos pode salvar porque em primeiro lugar não quer mudança e em segundo partilha a mesma triste sina que nós. Ninguém se salva. Mais importante que isso, o grupo não nos pode fornecer um álibi moral. A nossa responsabilidade nunca será diluída pela multidão. Somos responsáveis pelo que acontece no nosso país. Somos responsáveis pelas acções que tomamos e por aquelas que não tomamos. Ou aceitamos responder perante o tribunal da história (que não quer desculpas! Quer factos e razões para o actual estado de coisas) ou não merecemos sequer, o pouco poder simbólico que nos concederam, o voto.

PS: Sei que para a maioria das pessoas colocar as coisas nestes termos (obrigações de “ética pública” ou “honra pessoal”) é algo incompreensível, nem sequer entendem os termos em que se faz a discussão, mas eu não poderia ser “eu” sem valorizar estes elementos e dizer estas coisas.


O paradigma continua a mutar

Comecei este espaço a falar de um caso que na minha opinião reflectia uma tentativa mais ou menos transparente do sector conservador voltar a ter uma posição de relevo social. O que se calhar deveria ter deixado mais claro é que isso era apenas uma das muitas possíveis manifestações de um mesmo fenómeno. Quase que se poderia afirmar, se para estivéssemos para aí inclinados, que existiria um grupo conservador organizado em Portugal, fortíssimo, com laços políticos e financeiros que seriam verdadeiramente tentaculares que, tendo perdido em toda a linha (ao longo de quatro décadas) na revolução dos costumes e na batalha pela mente das pessoas, se retirou durante uns anos (alguns em exílio físico, outros só “espiritual”) mas que regressou rapidamente ao activo e estabeleceu bases de ataque permanentes em certos campos (dos quais nada está fora de consideração incluindo a ciência, a religião e a arte). Como é de conhecimento comum um paradigma não se muda rapidamente a não ser em situações de extrema pressão para a estrutura socioeconómica existente (que curiosamente é o nosso caso…) e normalmente começa com meia dúzia de iniciativas muito “low key” para poder medir a reacção popular (ou preferivelmente a falta dela) da segurança e conforto das sombras.

O ser perfeitamente adaptado às necessidades comerciais e da vida moderna.

Se o outro caso que me levou a este tema abordava o código de vestuário que se queria impor numa Universidade Portuguesa (à sombra de um estatuto legal algo dúbio que gerações de políticos ligados à esfera da educação se recusaram terminantemente a clarificar) este é sobre uma exposição de arte cancelada. E por motivos de várias ordens sou obrigado a admitir que é impossível traçar uma linha directa entre as duas coisas, para todos os efeitos são dois eventos díspares que têm apenas a particularidade de poderem encaixar numa determinada mudança de atitude pública face a certas liberdades. O leitor que decida o que fazer com a informação e a que conclusão chegar. Neste caso o artista, João Pedro Vale, vê a sua exposição cancelada pela companhia seguradora que o patrocinava. Segundo o artista porque lhe foi claramente dado a entender que era demasiado gay. A expressão usada foi “não compatível com os valores da empresa” o que nos deixa na dúvida se dizem isso a todos os clientes que lhe passam pela porta… “desculpe mas você não é compatível com os valores desta empresa”. Foi-lhe sugerida a hipótese de censura prévia pelos “stakeholders” (não especificados…) de forma a, supomos, torna-la mais “aceitável” (ao paladar de quem desconhecemos porque não sabemos especificamente quem se está a queixar). E assim começamos a standardizar até a produção artística segundo o padrão do Conselho de Administração. O gosto do homem comum (tal como a sua informação) passa a ser decido por meia dúzia de não-eleitos que não dão a cara).  Quase que parece um regresso ao capitalismo familiar na sua face mais opressiva. A do pequeno dono rural que quer controlar e moldar tudo e todos dentro do seu pequeno domínio.

Este provavelmente também teria que ser submetido a aprovação prévia...

Não estando provada a ligação dos eventos. Ou o envolvimento coerente da corrente conservadora. Ou de uma série de outras coisas que não se escrevem em documentos e como tal nunca serão passiveis de ser provadas. Resta-nos ver que num mês temos dois episódios mais ou menos significativos no sentido de regular o gosto e comportamentos gerais para um padrão mais aceitável para o conservadorismo de um determinado sector social. Para uma sociedade que se diz livre teremos ou um alto grau de conservadorismo reprimido ou estaremos a ser empurrados para determinados “corredores” de pensamento e comportamento como fomos noutros tempos. Pode ser mais subtil e ter como capa o direito (não sei se já foi considerado sagrado ou não…) de propriedade privada mas não o torna menos desagradável, opressivo ou indevidamente regulador.


Desilusões perigosas

Acho fantástico que se as pessoas pela primeira vez em décadas comecem a dar sinais de vida cívica, ou pública, e estejam já a preparar uma nova manifestação contra precariedade e todo o sistema que a mantém. Mostra que pelo menos ainda não estão completamente apáticos face ao que lhes está a ser imposto. Mas há graves problemas com a mentalidade que este tipo de iniciativa incentiva. Em primeiro lugar quase que dá a entender que isto é um passeio de Domingo em que até dá para ser divertido – o objectivo de qualquer movimentação social séria não é que as pessoas que nele participam estejam divertidas, para isso o sistema já proporciona, com uma vasta gama de preços e gostos, entretimento para todos; a intenção seria quebrar precisamente esse circulo vicioso diversão com aparência de contestação. Em segundo lugar, e isto é o mais importante, estas primeiras manifestações populares estão destinadas ao fracasso. Quando se sai para a rua é para das duas uma, ou fazer uma exigência concreta ou forçar alguém a abandonar o cargo. Neste caso não há nada disso no cardápio. É uma manifestação apenas por manifestação. Nada é pedido em concreto e como tal nada pode ser oferecido, não existem possibilidades negociais quando não há exigências concretas.

Brincamos?

Se me estivesse a sentir particularmente cínico diria que estão a cansar intencionalmente as pessoas com eventos que não podem pela sua natureza e organização (ou falta dela) produzir resultados reais com o objectivo de as imunizar a iniciativas que possam surgir, mais tarde, com algum potencial de sucesso e de mudança. Criar uma boa dose de desilusão com a vida pública (no verdadeiro sentido da palavra, de participação na Pólis, directamente e não apenas de forma afastada e inconstante como a nossa cultura política nos forçou) nas novas gerações para depois facilitar uma imposição de conformismo. Esperemos que não seja o caso e eu esteja apenas algo pessimista. Esperemos que se trate antes de um acordar de responsabilidade cívica por parte de pessoas que quase que se esqueciam que faziam parte de uma comunidade política. Mas por este ponto de vista convém então refrear, e muito, as esperanças que se possam ter sobre este primeiro tipo de iniciativas. Não vão dar em nada concreto, nem é suposto darem em nada (tal como pode comprovar pelo que aconteceu lá fora).

Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes...

No imediato o que há mesmo a esperar é que a continuação do teatrinho das “reformas” e da seriedade intocável. E da “enorme” preocupação com a despesa pública. Ou pelo menos aquela parte que é destinada à redistribuição social, fomento da economia real e manutenção de serviços públicos suficientes que nos permitam pelo menos aspirar ainda a ser um país senão do primeiro mundo pelo menos do segundo.


Manobras de contenção

Por toda a Europa multiplicam-se as tentativas de acalmar o que pareceu ser um onda de agressão espontânea direccionada contra os grandes desequilíbrios sociais que se estão a construir de forma semiautoritária (sem submeter o grosso desta transferência de riqueza a referendos e outros métodos de escrutínio da opinião pública). Sobre a capa de se querer evitar a desagregação social (como se o facto de as pessoas se unirem para contestar o que está a acontecer não fosse prova do contrário) está-se a aplicar ora medidas repressivas ora medidas de distracção ou acalmia para continuar todo o processo até ao seu fim (o chicote e a cenoura para o burro não parar de vez). A parte mais deprimente de todo o processo é como tentam desviar as pessoas para o protesto banal e ineficaz que acaba por ter os mesmos efeitos do conformismo mais apático à face da Terra.

Mais uma enorme escolha desprovida de qualquer significado ou consequência.

Em Espanha andam todos distraídos, em véspera de eleições, com uma visita do papa, líder de uma Igreja que nunca teve pudor em dizer quem apoiava (a visita vai ter direito à presença da família real outra entidade completamente partidária e que serve, na opinião de muitos espanhóis, juntamente com a Igreja da baluarte do conservadorismo espanhol e do que resta do legado franquista). Ou seja não só as pessoas têm direito a um espectáculo público como também a comício para irem bem orientadas para as urnas (claro que tudo é feito sobre a mais estrita neutralidade legalista mas isso só mostra o lado perverso de se prestar atenção exclusivamente à formalidade – não haverá provavelmente uma palavra partidária directa nos discursos mas para bom entendedor…). Parece que, tal como na Noruega (só coincidências…), havia um plano de atentado (envolvendo por pelo menos um devoto cristão conservador) ao que poderia ser considerado a ala liberal do país (neste caso os que se opunham a que o Estado Espanhol arcasse com um cêntimo do custo desta visita papal). Neste caso, felizmente, foi possível evitar uma desgraça e apanharam-no antes que pudesse fazer estragos.

"Gangs isolados", "vandalismo" é o que mais se gosta de usar... e que tal: combate urbano e rebelião popular?

Pelo Reino Unido a técnica continua a ser a pálida imitação da baronesa Thatcher que o primeiro-ministro David Cameron parece empenhado em prosseguir. É prisões para os revoltosos e para quem “publicitou/incitou” a revolta. Ficamos sem saber se as tvs também serão multadas e os seus jornalistas principais encarcerados. Ou são apenas determinadas opiniões sobre o tema que dão direito a ir preso? Será mesmo que a causa de uma semana de caos urbano no Reino Unido pertence realmente a dois miúdos que usaram uns slogans? Quando se tornar muito incómodo também se fecharão as redes sociais e blogs como no médio oriente? Ficamos também sem saber qual é a moral de um governo que prende jovens adultos nestes casos mas permite que os seus “cidadãos mais respeitáveis”  investir (de forma legal) em armas proibidas. Será que irão colocar a cara dos presidentes dos Conselhos de Administração destes bancos em ecrãs ao longo de Londres para os encontrar e identificar? Em Portugal ficamos sem saber muito bem quando é que apoio ou palavras de ordem serão criminalizadas (esperemos não chegar a tanto porque as penalizações pessoais por emitir opiniões de qualquer ordem já são pesadas o suficiente). De qualquer forma ficamos a saber que a última reforma do governo prepara-se para criar mais 40000 desempregados (e neste ambiente económico são permanentes) como “dano colateral”. Estranha forma de contribuir para a estabilidade.


Afinal não somos diferentes

Londres

Parece que finalmente, e já não era sem tempo, algumas pessoas começam a acordar para o que deveria ser óbvio. As diferenças nos países da Europa Ocidental e do Sul são superficiais. Londres está em chamas e em rebelião aberta contra o poder central. A crise do modelo político-económico é inegável (a julgar pelas chamas e violência que são argumentos bastante fortes – eu sei que por cá as autoridades preferem as opiniões higiénicas dos comentadores do costume mas, às vezes, a realidade vence mesmo esta nova forma de censura) e o que aconteceu na Grécia, na Irlanda e em Portugal vai acontecer noutros sítios nalguns casos com ainda mais violência. As autoridades governamentais, neste caso em Londres, fazem o costume, apelos à calma quer controlem ou não a situação, econdenam unilateralmente a violência como se os combates na rua fossem entre vários grupos manifestantes e não uma miniguerra urbana entre as forças policiais e os descontentes. A crença profunda Downing Street parece ter nascido no coração de outro regime, se repetirmos algo vezes suficientes as pessoas acabam por acreditar: Os responsáveis são só meia dúzia de criminosos de resto tudo está bem. Tudo está bem. Tudo está bem…

Atenas

Por cá ainda estamos a alguma distância de cenas destas (apesar de estar convencido que lá chegaremos como o devido desenrolar desta peça de teatro) quanto mais não seja porque ainda só há um mês é que começámos a apanhar com a Doutrina de Choque que nos querem impor. Haverá dissabores em meses futuros, reclamações para o ar, chega o natal e a Igreja (como boa aliada do poder que sempre foi) irá pôr água na fervura e no próximo ano é que as coisas vão mesmo aquecer quando se perceber que o poço dos sacrifícios pedidos não só não tem fundo como continuará a haver um conjunto de iluminados (com as melhores credenciais familiares e profissionais como se quer em Portugal) que continuará a gritar aos quatro ventos que a culpa é da falta de brutalidade das reformas aplicadas (fazendo lembrar os frades dominicanos da inquisição a avisarem que é preciso queimar mais hereges até a ira de Deus ser aplacada). A situação vai rapidamente ficar insustentável especialmente nos grandes centros urbanos. E aí veremos então se a violência que caracterizou a vida pública portuguesa nos últimos séculos desapareceu por completo, como nos querem fazer acreditar desde 1933, ou se somos os mesmos do costume e quando encostados à parede, e sem outras soluções, fazemos algo para nos defendermos e nesse caso poderão até surgir respostas piores que estas.

Madrid

Até esse altura ficamos com o triste espectáculo das capitais europeias a desintegrarem-se uma a uma e a transforem-se em espécies de zonas militarizadas com cada vez mais limitações à mobilidade de acção e opinião dos cidadãos – que se começam a questionar o que estão a ver ou a versão oficial dos eventos passam a ser descritos nos media e comunicados oficiais como “os poucos e perigosos delinquentes”.


O que me dava esperança e ânimo

O líder máximo da nação vem pedir-nos, nas suas palavras: “…este é o momento para recuperar forças e ânimo para um novo ano, que será de grande exigência mas que deverá também ser, como tanto desejamos, de coragem e de esperança”. E não discordando que este pode vir a ser um momento chave na história recente do nosso país tenho que dizer que vai ser preciso mais que boa vontade para criar essa esperança e ânimo. Uma base racional. Porque se essa base não existir o que se está a pedir é a permissividade total. No sentido de contribuir para a construção dessa base racional tomei a liberdade de sugerir 12 pontos que me parecem vitais para restaurar qualquer aparência de credibilidade junto do cidadão normal (ia a dizer classe média mas actualmente já não estou seguro que o cidadão normal seja de classe média… e os que ainda o são parecem ter os dias contados…).

"Blood alone moves the wheels of history"

1)      Ver 90% da classe política dos últimos 30 anos irradiada da vida pública. Por manifesta incompetência.

2)      Ver legislação sobre corrupção que tivesse hipóteses reais de ser mesmo aplicada e poder condenar alguém (ou seja que não fosse quase impossível fazer prova dos crimes de corrupção e tráfico de influências).

3)      Ter um sistema de protecção laboral que aplica mesmo as medidas de protecção do trabalhador em vez de ser completamente remisso (para quem duvida da relevância disto: façam um inquérito junto aos trabalhadores temporários para descobrir a última vez que uma inspecção passou a pente fino as empresas onde estão colocados ou que detêm o seu contrato).

4)      Ver um sistema de capitalismo livre em que as oportunidades de negócio dependem mesmo de ser empreendedor e não dos contactos junto das pessoas certas.

5)      Ver implementada imediatamente uma lei que proibisse qualquer empresa de deter mais de um meio de comunicação.

6)      Ver implementado um programa maciço de educação cívica para cada português finalmente ter uma ideia do sistema que criaram para o prender. Seguido de preferência de um referendo a 2/3 anos.

7)      Ver as entidades para a concorrência ganharem vida.

8)      Ver as entidades para a regulamentação e verificação da actividade económica ganharem vida.

9)      Ver o sector especulativo da economia pagar os mesmos sacrifícios que são exigidos a todos os outros. Seria o primeiro a defendê-los se mostrassem uma gota de responsabilidade social.

10)   Restringir ao máximo financiamentos empresariais aos partidos.

11)   Impedir durante pelo menos 7 anos qualquer eleito de ocupar cargo no sector privado depois da sua saída da vida pública. Com a mesma legislação a aplicar-se a funcionários públicos detentores de informação chave para o interesse nacional.

12)   Registo público das relações familiares de todo e qualquer membro do governo e/ou consultor tal como uma relação completa de bens familiares.


None of us are free – Solomon Burke

One, two, three

Well you better listen my sister’s and brothers,
‘Cause if you do you can hear
There are voices still calling across the years.
And they’re all crying across the ocean,
And they’re cryin across the land,
And they will till we all come to understand.

None of us are free.
None of us are free.
None of us are free, if one of us are chained.
None of us are free.

And there are people still in darkness,
And they just can’t see the light.
If you don’t say it’s wrong then that says it right.
We got try to feel for each other, let our brother’s know that we care.
Got to get the message, send it out loud and clear.

None of us are free.
None of us are free.
None of us are free, if one of us are chained.
None of us are free.

It’s a simple truth we all need, just to hear and to see.
None of us are free, if one of us is chained.
None of us are free.
Now I swear your salvation isn’t too hard too find,
None of us can find it on our own. (On our own)
We’ve got to join together in sprirt, heart and mind.
So that every soul who’s suffering will know they’re not alone.

Oh, none of us are free.
None of us are free, yo
None of us are free, if one of us are chained.
None of us are free.

If you just look around you,
Your gonna see what I say.
Cause the world is getting smaller each passing day. (Passing day)
Now it’s time to start making changes,
And it’s time for us all to realize,
That the truth is shining real bright right before our eyes. (Before our eyes)

None of us are free.
None of us are free.
None of us are free, if one of us is chained.
None of us are free.

Oh, none of us are free.
None, none, none of us (None of us are free)
Oh, none one of us
(None of us are free, if one of us is chained) Well, well,
Well, once again

(None of us are free) None of us are free
(None of us are free) None of us are free
(None of us are free, if one of us is chained) One of us, none of us, one of us

(None of us are free) Lord, have mercy
(None of us are free) Oh, let me save you
(None of us are free, if one of us is chained)
If one of us is chained, none of us are free.
Well, I gotta tell about it

(None of us are free) Oh, ma ma ma
(None of us are free) Ma ma Lord
None of us are free, if one of us is chained.
None of us are free.

None of us, none of us, none of us are free.
None of us are free.
None of us are free, if one of us is chained.
None of us are free.

None of us are free.
None of us are free, no
None of us are free, (if one of us is chained), oh, Lord
(None of us are free) oh, Lord

None of us are free.
(None of us are free)
None of us are free, if one of us is chained.
None of us are free.